Rodrigo Valle Pereira Guerra
Não é nenhuma novidade que as empresas familiares são um importante pilar de sustentação da economia brasileira. Segundo dados de um estudo do IBGE[1], estas correspondem à 65% do PIB, e empregam 75% da força de trabalho. O referido estudo traz à baila ainda uma informação que, de certo modo, pode surpreender alguns, qual seja: somente 30% das empresas familiares sobrevivem à primeira sucessão, e somente 5% sobrevivem à segunda sucessão. A reduzida taxa de sobrevivência das empresas familiares se deve, principalmente, à ausência de políticas de governança familiar adequadas, o que, por sua vez, afeta diretamente a manutenção dos negócios após o primeiro processo sucessório. Importante estabelecer que, ao falarmos de governança familiar não estamos falando de governança corporativa. A primeira diz respeito aos princípios, história, planejamento sucessórios e patrimonial da própria família empresária e, ainda, sua relação com os negócios. Já a segunda diz respeito ao sistema pelo qual as empresas e demais organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo os relacionamentos entre sócios, conselho de administração, diretoria, órgãos de fiscalização e controle e demais partes interessadas. De maneira simples, a governança familiar tem como centro a família, enquanto a governança corporativa tem como centro o negócio. Ao falarmos de governança familiar estamos falando da fixação de políticas, normas e mecanismos de interação entre a própria família, seu papel como dona do negócio e gestão do negócio. Para tal, comumente usamos a figura dos três círculos, onde, cada membro da família é alocado de acordo com seu papel, conforme abaixo: